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Sobre a Consistência do Sporting (II Parte)

Link para a primeira parte do artigo: I parte



Perante uma pressão alta e bem coordenada do Frankfurt (jogo fora), um ambiente eufórico dos seus adeptos e a pressão de estreia na Liga nos Campeões, os primeiros 60 minutos do jogo espelharam dificuldades factuais.


O momento Eintracht Frankfurt como ponto de viragem?


Contudo, Frankfurt coincide também com momento de viragem pelo que sucederá a partir do minuto 60...


Um novo estado d'ordem


"Quando estabilizámos mais, fizemos o que treinámos (...) os nossos médios acabaram por ficar com a bola. A etapa final foi diferente. Mantivemos a nossa personalidade, forma de jogar e criámos mais perigo.
Rúben Amorim, conferência pós Frankfurt, 07.09.22 in Jornal A Bola

Por volta dos 60 minutos, a Dinâmica (ou o jogo?) muda. Começa a aparecer um Padrão mais ordenado e, em consequência disso, a progressão do Sporting começa a ter mais continuidade, fluidez e... controlo. O aparecimento desta nova ordem relacionar-se-á com uma estabilização (entendendo por estabilização como uma regularidade a evidenciar-se na continuidade dos jogos)?



A Intenção como Inteligência Reguladora


Deixando para já a questão em aberto, quero apenas deixar subentendido que, apesar de o Sporting não ter evidenciado a tal Consistência nos primeiros 60 minutos (expressa em controlo/segurança na sua circulação de bola e na forma como foram mais vezes condicionados do que a condicionar o adversário)... a MESMA INTENÇÃO esteve lá.



Capítulo-Vídeo


Apresento o segundo e terceiro vídeos (últimos 30 minutos vs Frankfurt e excertos de todo jogo vs Tottenham, respectivamente) relativos ao novo estado d'ordem de que falo. Nesta análise, continuarei a incidir na co-evolução da Dinâmica Colectiva e das dinâmicas particulares que envolvem o Morita (dentro do seu crescente entendimento do Todo-Jogo):


(se não aparecer em baixo o player com a pré visualização do vídeo abram neste link)

Um novo estado d'ordem (últimos 30 minutos vs Frankfurt, fora)


(se não aparecer em baixo o player com a pré visualização do vídeo abram neste link)

Um novo estado d'ordem (continuação, Sporting vs Tottenham, casa)


(Para uma melhor compreensão destes vídeos sugiro lerem o enquadramento que é feito na primeira parte do artigo no capítulo"Organização posicional no Momento de Construção e dinâmica do aproximar/afastar").


Averiguar, contudo, a existência de uma estabilização implica o evidenciar da sua regularidade ao longo de vários (ciclos de) jogos.


Ciclo que se seguiu


O primeiro terço de época, nomeadamente o ciclo que se seguiu, caracterizou-se, contudo, por uma irregularidade de resultados agravada pela frequência pouco comum (quando comparado às épocas anteriores) de derrotas (algumas delas seguidas) e pela ausência de vitórias seguidas - excepto o ciclo Estoril (fora), Frankfurt (fora), Portimonense (casa) e Tottenham (casa). Rúben diz que são precisas vitórias seguidas. Parece contrapudecente falar-se numa estabilização perante tais factos.


A evidenciação de uma certa Consistência


No entanto, considero que foi isso precisamente que aconteceu. Sou da opinião que, "paradoxalmente", o ciclo que coincidiu com essa inconstância de resultados coincidiu também com a estabilização do novo estado d'ordem de que falo, o que pressupõe uma melhoria e estabilização da qualidade de Jogo em relação que vinha a ser evidenciado até aos primeiros 60 minutos de Frankfurt. Estabilização, no meu entender, um conceito relacionado com o começo de uma Consistência.


Tendo em conta que os critérios que evidenciei ao longo desta análise (ver enquadramento da Cronologia vídeo na I parte) como sendo aferidores de uma estabilização/Consistência - nomeadamente os que resultam numa maior capacidade de controlar o jogo - são coincidentes com os que Rúben Amorim tem advogado no seu discurso, sou levado a concordar em parte com ele quando também diz que as exibições têm sido Consistentes:


" As exibições, o controlar o jogo, as oportunidades dos adversários..."

Acrescentaria apenas uma certa Consistência. Aquela que diz respeito a um começo do enraízamento das questões Colectivas (Macro). A Consistência depende (muito) também das consistências individuais.



A complexidade da Questão


Acredito que o tempo de consolidação/estabilização dos aspectos Macro de um Jogo compreende um horizonte de 3 a 5 meses, dependendo do grau de estado "verde" com que se parte (que neste caso também não foi um "verde" absoluto), das condições com que é alimentado, do nível dos jogadores, dos resultados, etc.


Creio foi o caso, onde o timing a partir do qual o novo estado d'ordem começa a dar sinais de estabilização, ocorre no período Frankfurt (fora)/Tottenham (em casa). É a partir daí que o domínio já evidenciado antes começa a expressar-se com maior controlo sobre o jogo. Porque são coisas diferentes.


consistências (com c minúsculo)


A Consistência depende contudo também de consistências (com c minúsculo), do foro mais individual portanto.

A direccção do fluxo desta dependência varia ao longo de um processo como o descrito, consoante as necessidades e problemas circunstanciais. Possivelmente, dado o estado já atingido, onde o "tema" começa a ser dominado, pode ser que o processo peça um maior contributo/incidência nessas consistências (individuais) sem, contudo, haver um desvio da Conjuntura Organizadora - que se pretende possibilitadora de estabilização mas também da emergência dessas consistências.


"As equipas vivem de Consistência (...) Temos sido mais consistentes nas exibições do que nos resultados. Conseguimos juntar as duas coisas. Os golos e as vitórias é que dão confiança, não consigo ensinar confiança aos jogadores"
Rúben Amorim, conferência pós-jogo contra Famalicão (fora), 13.11.22 (in Jornal A Bola, 14.11.22)

Um esclarecimento final


Sendo admirador do jogo de Rúben Amorim, não foi meu objectivo, contudo, advogar se o caminho foi o correcto ou não, embora defenda que sim.

Foi meu objectivo, essencialmente, apresentar um exemplo da relação entre continuidade e o desenvolver de uma Consistência de Jogo; de como a Consistência de um Sistema é altamente dependente das circunstâncias e da emergência de coisas novas (por vezes inesperadas) que podem inclusive, por mais micro que sejam (saída de Matheus Nunes), perturbar a sua Organização a ponto de a levar para um estado (momentâneo) de desordem; e/mas como pode uma Dinâmica, mesmo perante determinados tipos de perturbação, fruto da manutenção de uma Inteligência Reguladora constante (IDEIA), ser capaz de reassumir novos estados de ordem e de voltar a expressar uma Organização com Consistência. E também com variabilidade.


Fica aqui o link para a primeira parte do artigo.


Um Abraço,




(Um agradecimento ao Miguel Teixeira da Iscout pela edição dos vídeos de apoio)


Outros artigos que tratam da problemática da Consistência vs Variabilidade:





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