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Fujera. Uma adaptação

Mudança, um processo na sua essência, directamente relacionado com o conceito VIDA.


A mudança para os Emirados está a ser um processo literalmente perturbador na medida em que mexeu com a rotina e hábitos a que estava habituado e adaptado. A magnitude e impacto desta mudança, por si só já tão intensa, ainda mais se torna, quando coincide com um momento de uma profunda (e dolorosa) reflexão acerca do que serão os próximos 40 anos da minha vida e da minha carreira.

Não obstante, creio que estas dificuldades estão a alterar a minha consciência, em relação àquilo a que dou mais valor, ao meu auto-conhecimento, à medida que me vou adaptando. à medida que vou conhecendo aquilo que não quero, vou conhecendo também, cada vez melhor, aquilo que quero.


Mudança, emoções, cronobiologia

Tratando-se de um processo, como qualquer outro, que envolve uma mudança de hábitos não somos não somos imunes a alterações nas nossas emoções, na nossa ritmicidade biológica, na nossa homeostase. Em suma, a mudança gera sempre desconforto.


Esta problemática, tem-me igualmente servido para reflectir sobre que implicações poderá ter qualquer processo de mudança e, para converter o meu sofrimento em alívio e prazer, tenho procurado extrair estes ensinamento para a realidade que é estar em EQUIPA e, concretamente, a minha integração na Equipa Técnica do Fujera.


Criar Empatia


Por mais que pensemos que por dominarmos o método compreenderemos a totalidade do treino, estaremos sempre nesse caso sempre aquém pois lidamos com Pessoas e com a sua complexidade.

O estudo formal das relações humanas, objecto mais central na sociologia ou, da mente humana, na psicologia, abordam algo que é naturalmente inerente à nossa condição humana: somos seres sociais e analógicos. É, antes de mais, senso comum.


Penso que essa sensibilidade, o dar e receber, na relação com o outro, deve ser uma condição basilar no alimentar de um Estado d'Alma onde todos se sintam entusiasmados e considerados, com confiança mútua, para que todos possam dar tudo aquilo que têm para dar.


Uma problemática (inter)dependente

A abordagem desta dimensão não é aqui trazida ao acaso na medida em que procuro abordá-la numa perspectiva de (inter)dependência com as outras dimensões do treino.

O que quero enfatizar é que a considero, enquanto uma dimensão psicológica/social como articulada com as outras dimensões.


Penso que o reconhecimento da articulação entre as dimensões e as problemáticas nos transporta aliás para um verdadeiro sentido de Metodo-LOGIA, enquanto uma lógica de articular métodos.


Assim, quaisquer alterações que vamos propondo formalmente no que propomos no treino, as mesmas andarão sempre de mãos dadas e articuladas com a confiança e empatia que se vão criando. Fazem parte do mesmo Todo.


Mudança de hábitos


Após a chegada a Fujera, com uma diferença horária de mais 3 horas em relação a Portugal, demorei cerca de uma semana a regular horários de sono, de refeições, até que estabilizei mais ou menos.

Numa mudança, temos de reconhecer que existem hábitos anteriores que fazem parte da história dos indivíduos, das Culturas, das Equipas. Há que, por um lado, ter em consideração o enraizamento dos mesmos, e perceber que muitos deles devem ser mantidos, outros passíveis de serem alterados. Quando fazemos essa análise, aquilo que procuro ter em conta é o impacto que isto pode vir a ter no curto, médio e longo prazo.


Adaptação/Adaptabilidade

“Citação Frade”


O que buscamos com o treino é provocar levar a efeito uma fantástica capacidade do ser humano: a adaptação/adaptabilidade ao contexto. No caso das minhas responsabilidades, propondo os dividendos que podemos colher da aproximação, em termos do padrão nomeadamente metabólico e energético, a um registo de intermitências máximas, um jogo a gasolina com máximo de octanas, assente numa Especificidade, enquanto supra-dimensão norteadora do jogar da Equipa.


Perceber o contexto


Voltando à questão da empatia, é uma preocupação transversal e a integração na equipa técnica faz parte desse todo que é a Equipa.

Para levar a efeito uma determinada adaptação/adaptabilidade, ou pelo menos procurar fazer como a mesma pode ser vantajosa, há que partir do concreto. Como pensa o treinador o jogo?; como treina?; de que exercícios gosta?; Como hierarquiza? e quais são as prioridades do momento?.. Ou seja, partir do que se faz.


Treinar com bola para ter os jogadores motivados é um ponto de partida por onde agarrar.


Partindo de um diagnóstico e completa uma semana, gerar confiança em empatia, de mãos dadas com uma crescente coordenação com as Pessoas, não só Equipa Técnica mas as restantes Equipas, de forma a também contribuir para a melhoria da Equipa, numa Mudança desconfortável, foi o principal desafio a que me propus na minha preparação como Treinador com a mudança para os Emirados.


Hoje começamos o Campeonato.


Abraço,


Carlos Miguel







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